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17/05/2012

não há nada a ser feito. estou longe, mais exatamente do outro lado do rio. uma grande questão geográfica e de acontecimentos que mudam a cada segundo em nossas vidas, não há rigorosamente o que fazer, apenas cavar e cavar. vou sumir como uma formiga fugindo de um grande pé que está lutando para ficar só mais um pouco viva antes de ser esmagada, vou beber toda aquela garrafa vagabunda, porque hoje pede algo bem baixo nível, como essa faca que me empurra de um jeito tão frio em meu peito. vou mergulhar fundo em meu silêncio e tentar ─ quem sabe ─ achar uma brecha de luz no meio dessa região abissal que me encontro. não é ironia, nunca foi.

14/05/2012

porres de um discurso amoroso.

 você acha que isso acabou? nada, nós sempre vamos encher a caveira, ter uma grande ressaca no dia seguinte e sim, vamos sofrer de amor, mesmo aquele que não chega a chorar como as grandes personagens de novela mexicana , mas vamos sofrer. sabe por quê, caríssima pessoa? porque demoramos a aprender a aprender a vida com os porres e desamores.

11/05/2012

 não uso guarda-chuva por mera falta de coordenação, mas no fundo não vejo o porque me abrigar num lugar seguro, já que meus caminhos são feitos de forma errada. vivo na corda bamba, dançando cinicamente com a sorte, com o perigo e sorrindo para a bala perdida de amor. não uso guarda-chuva e quero ter contato com cada pingo de lágrima, porque sou humano, sou avesso, sou errante, sou principalmente aquele ser no meio de uma metrópole que não sabe da minha existência.

14/03/2012



parece que as portas estão se fechando, o mar virando sertão e o asfalto se tornando uma grande terra batida. parece que todas as minhas direções estão se fechando, me forçando a andar em vão, com um vinho na mão,esperando alguma coisa boa, um bom "olá" inesperado. 


assim caminha a humanidade, a minha humanidade.

08/03/2012

a volta ao mundo em 69 sonhos ( ou cus)

bem...temos primeiro uma introdução para a música ser tocada. também podemos considerar que isso tudo é uma reza antes do mundo girar, afinal temos 69 sonhos, como um círculo vicioso. john coltrane começa nas primeiras notas, a bateria desperta, pronto, começou aquilo que chamo de inspiração ou apenas piração para começar a escrever desvairadamente. e se eu quiser abolir a pontuação, que mal tem? se eu quiser botar essa bela imagem de man ray. é ou não algo bom de se apreciar, enquanto damos a volta ao cu do mundo?


 esta é pode também ser a sua cara de quem não está entendendo lhufas e necas de pitiribiriba do que está acontecendo.    



26/02/2012

22/02/2012


 era uma constante essa ideia da minha casa é o lugar mais seguro do mundo, que minha cama se apegou ao meu cheiro e os cantos do meu quarto serem os melhores para ficar encolhido, enquanto lá fora tudo é um carnaval que não, não é meu.

28/12/2011

noite fria

é noite fria
você de camisola roxa
deita em minha cama
leve como uma gata traiçoeira
encosta seu nariz em meu braço
sente meu cheiro sem dali
diferente do primeiro encontro que tivemos.
nossos sonhos são pontos de interrogação
três pontos
o futuro é reticência quebrada.
você continua buscando em meu corpo
o gosto que deixei na sua boca esfomeada
hoje é ceia sem pão, vinho e gozo
tudo é silêncio no quarto.
olho para o teto
procurando algo novo
não sendo as sardas em seus seios
que adorava contar, uma por uma.
hoje vejo rachaduras
o concreto se foi
algumas cascas estão no chão
denunciando nosso fim.

11/12/2011

07/12/2011

01/12/2011

o tédio

"porque aqui na terra o tédio está muito grande." 
 roberto piva


e digo mais: isso tudo se dá aos desencontros das horas, das pessoas, dos momentos únicos, no hay banda. esse tédio faz descabelar todos os seres que vivem dos mergulhos profundos. os barulhos que fazem os copos brindados por paixões arrebatadoras não podem ser silenciados por esse tédio que ronda o mundo, deixando as pessoas entregues, com expressões moribundas e bundas.
chutar o tédio faz parte de mim, o problema que faço sozinho.

04/10/2011

noturno, o gatuno.

noturno era o nome do gato. ele era da minha irmã, na verdade de ninguém. morávamos em uma belíssima cidade do interior fluminense, vivi os cinco anos mais doces da minha vida, minha inocência era tão aguda que depois de muitos anos só agora minha mãe descobriu o que eu tinha (acho que ainda tenho...) dislexia para matemática. (sim, isso existe).

voltando ao assunto, noturno era um negão de olhos amarelados que adentravam bem nas noites em que dava sua escapadinha, esse era noturno. voltamos para a capital, minha irmã, horas antes de pega-lo para fazer nossa viagem...simplesmente nos passos gatunos, desapareceu. segundo informações dos ex vizinhos, noturno voltou semanas depois para a casa onde vivemos doces anos.

a casa dele era ali e noturno não suportaria a vida aqui.

03/10/2011

valsas canhotas no cabaret de brassaÏ.*


 há valsa canhota em mim, desde que nasci eu fico em danças e algumas andanças até a valsa chegar arrebatando. tempos atrás conheci em brassaÏ  a sua poesia que se assemelha minha valsa, da forma mais canhota possível. há um intimismo que chega doer meus olhos quando folheio seu livro que achei numa promoção daquelas "é pegar ou largar sua vida, caso não executar a coisa certa.", eu fiz e não me arrependi. toda vez dialogo com ele, principalmente nas manhãs nubladas ou em noites que entro na comunhão de ficar bem quieto em casa, com minhas doses imaginárias de paris.

na verdade eu e ele temos mais em comum:revelar poemas. e no fundo mais em comum ainda: somos nada, que só nós mesmos enxergamos algum significado para existir no meio do que chamamos isso de mundo.

ah, temos uma diferença, continuo valsando ( da forma mais canhota e torta possível), enquanto ele descansa.






*obs: copiei, colei e ficou assim: Ï. desculpem não lembro o tal código. sou um canhoto também com essas digitações mais apuradas, de códigos, leve em consideração como uma homenagem ao brassaÏ.

27/09/2011


[acaricio as feridas abertas para sumir com as lembranças das almas etílicas.]

25/09/2011

 gosto desses subersivos das letras, eles viviam inquietos e cheios de hábitos pouco comuns.tudo bem, se tivesse em mãos alguns diários que esses caras escreveram eu ia continuar achando minha vida muito boa. não, provavelmente eu enlouqueceria com a merda de vida que eles viveram, porque é assim pelo menos para mim: inquietude é uma falta de paz de espírito impressionante.

19/09/2011

e essa vontade, desejo, pressão, insônia, sede, urgência, masoquismo, salvação, válvula de escape e tudo mais quando eu falo, sinto e respiro a palavra "escrever". é tanta coisa aqui que não tenho mais o que declarar, a não ser mais uma vez tentar começar algo que não esteja escrito.