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03/02/2012

Nas luzes amareladas de São Paulo



cai a madrugada assoviada em são paulo
a velha luz amarela ilumina o centro
lá é meu lugar em pensamento e corpo
quero me perder em você, dentro de sua estação
o seu abismo que me cala extasiado
são paulo não são
vem me pegar logo
mariana, madalena, matilde, me agarrem em suas vilas
depois passeio na paulista que abraça formigas de várias espécies
e terminar embriagado nos neons da augusta
preciso das luzes amareladas da sé e república
me perder em sebos, esquinas e hotéis antigos
chegar feliz e assustado nas escadarias do municipal
assistir de camarote, encantado
a correria das moças branquelas de sutiã preto
cidade que alarda e me faz vivo
vem logo
senão vou até você.

04/10/2011

noturno, o gatuno.

noturno era o nome do gato. ele era da minha irmã, na verdade de ninguém. morávamos em uma belíssima cidade do interior fluminense, vivi os cinco anos mais doces da minha vida, minha inocência era tão aguda que depois de muitos anos só agora minha mãe descobriu o que eu tinha (acho que ainda tenho...) dislexia para matemática. (sim, isso existe).

voltando ao assunto, noturno era um negão de olhos amarelados que adentravam bem nas noites em que dava sua escapadinha, esse era noturno. voltamos para a capital, minha irmã, horas antes de pega-lo para fazer nossa viagem...simplesmente nos passos gatunos, desapareceu. segundo informações dos ex vizinhos, noturno voltou semanas depois para a casa onde vivemos doces anos.

a casa dele era ali e noturno não suportaria a vida aqui.