16/01/2012

III

na fotografia
que guardo escondida
seu olhar de ressaca me desfoca.

13/01/2012

nota

 Amigos, o conteúdo é o mesmo, só mudou o nome e endereço.

 Bem vindos aos meus tragos e estragos.

12/01/2012

trago a pessoa amada em três dias.



a noite chuta corações moles
o céu está nublado
noir
lobos solitários procuram presas
perdidas em becos
o sax toca alto
luzes vermelhas chamam
os amantes de plantão
brotam 
é free jazz
tragos mal amados
devolvem corpos em três dias.

09/01/2012

prólogo

 tem vinho. o relógio marca zero e vinte e um. aqui os ecos surgem, palavras voadas sem pegar no ar, não há porque fazer isso, pelo menos agora. suas costas brancas e nuas contrasta com o preto daquele retrato que te rasgo com o olhar. tem vinho. o relógio marca zero e vinte e três e você continua sentada na cama olhando para duas janelas vazias.

e cá estou, nessa vida de gato bandido.

03/01/2012

21/12

luzes da cidade
tudo acontece lá embaixo
avisto casais se esfregando como animais esfomeados
quebra mar de tempo jogado
porque eu tenho 1001 motivos para jogar tudo para o alto
e sambar torto em cima de tudo
é papo de poucos caracteres.
volto para meu ponto
"mais uma, minha amiga."
não peço água de coco em quiosque
do meu forte vejo tudo
imagino seres se encontrando com paixão
outros se matando por amor
e milhares trepando sob a luz da lua ou vermelha.
o calor no rio me faz afogar na cerveja
espero o amanhecer aparecer, é ipanema
chega o momento
entre cantarolar torto e "my funny valentine" sendo tocado
tomo o sol em retrato
guardo no celular
para um dia saber
que tive meu último dia de primavera
virou luz, verão.



(rio de janeiro, 21 de dezembro de 2011)

01/01/2012

primeiro poema de primeiro de janeiro do novo ano.


o quarto de tempo
marca novo ano
meus pés tocam nas latas vazias
um silencioso primeiro de janeiro
é ano novo
o passado foi bem passado, obrigado por lembrar.
o barulho da chuva caindo no asfalto se mistura com os fogos
ainda tem gente que não entrou no novo ano.
escrevo em silêncio, achando silêncio
vozes vindo de longe, gritos de crianças histéricas e as vezes algum silêncio
“silêncio, no hay banda”
muito menos uma música para acompanhar, silêncio.

não arrumei a cama, está intacta
com as marcas de um corpo pesado de exageros
era fim de ano, agora começo e tudo é algum recomeço
o relógio vai marcando
tic-tac...
olho para os livros, não vejo referências
lembro de Manoel em um filme, ele disse:
“a razão é a última coisa que deveria entrar na poesia”
e o que entra aqui?
pobre engano.
“sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagem e estará sujeita a cobrança após o sinal.”
ponto. é ano novo.