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20/11/2011

castigo

desce na escada um anjo
com a candura nos olhares vadios
você, esse anjo que beija mordendo meus lábios
e retribuo, adentrando de vez em seu céu
não há lugar com cheiro de algodão doce
os becos de neon e cervejas derramadas nos esperam
os gritos desesperados por clemência ecoam
enquanto sorri como a mais sacana e doce menina dos olhos
não sei sentir morno.
quero deixar marcas de palavras
com cheiro de vinho em seu corpo
despejar todo meu desejo por você, agora
ver seus arrepios in(tensos)  e dentro de seus olhos
faço meu carnaval
um castigo infinito...

03/11/2011

código morse



mordo 
com a boca devassa
do amante embriagado.
dentro de você
descubro a caverna pouco habitada
porque não faço visita no chá das cinco
prefiro aprontar estardalhaços 
para rir nas horas quebradas da madrugada.
enquanto escuto seus sussurros abraçando meu ouvido
fecho meu olhos buscando céu
nesse surrealismo sacana
que nem dali entende.
é fim de tarde
aguardo água
ardente
na chuva da estação
você goza no sentido contrário
enquanto eu pulo o vão 
entre o trem e a plataforma.
a noite chegou
deixo meu melhor sorriso
no canto da boca
porque nasci para ficar
em estação alguma.

27/09/2011




a moça se descabela
no rio do desespero.
piranhas pulam para abocanhar
um pedaço de carne
com cheiro inebriante
de alfazema.