hoje eu aceitaria seu cigarro e ficaria vendo a vista a vista vista e sentir sua respiração ao meu lado.
17/05/2012
não há nada a ser feito. estou longe, mais exatamente do outro lado do rio. uma grande questão geográfica e de acontecimentos que mudam a cada segundo em nossas vidas, não há rigorosamente o que fazer, apenas cavar e cavar. vou sumir como uma formiga fugindo de um grande pé que está lutando para ficar só mais um pouco viva antes de ser esmagada, vou beber toda aquela garrafa vagabunda, porque hoje pede algo bem baixo nível, como essa faca que me empurra de um jeito tão frio em meu peito. vou mergulhar fundo em meu silêncio e tentar ─ quem sabe ─ achar uma brecha de luz no meio dessa região abissal que me encontro. não é ironia, nunca foi.
o choro estancado me dói confundo fumaças de outono com as do cigarro que não fumo há dois anos você me tocou pela última vez ali bem certeiro, no meu coração ele está gelado. estou te fumando e soltando a fumaça minhas mãos estou te gritando como nunca fiz estou com suas últimas palavras nuas e cruas e meu sangue não para de escorrer na parede é amor, mais que fatal te perdoo, tanto que me calo. o gosto amargo de bebida mal amada continua é de foder sua dor que me consome seu silêncio que me come sua frieza que me curra. não é fatalidade estava escrito em algum lugar com meu sangue quente de quem te amou um dia mesmo do outro lado do rio.