27/04/2012

o expresso da meia-noite


soco na mesa:

o relógio marca meia noite e trinta ( e um).
o silêncio da madrugada se confunde com o passar de um carro vadio
no asfalto molhado pela chuva que não percebi.
o mundo lá fora parece não existir
eu não existo.
tem uma pedra no meu caminho
uma pedra no meu rim
tem uma pedra no meu uísque
uma pedra no coração

tem.
e um aperto tão apertado que não está cabendo no lado esquerdo do peito
uma saudade sem tocar em dó maior.
o relógio marca meia noite e trinta ( e sete).
uma gata olha pela janela a madrugada
essa bichana roubou o meu lugar
perdi toda bossa.


um expresso da meia-noite no café mais próximo, por favor.

2 comentários:

  1. ótima análise das pedras, em todos os cantos, dentro e fora.

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